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10º Concurso História e Significado - Categoria Livre

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Olá, comunidade FineArt!


Que alegria publicar mais uma edição do nosso concurso fotográfico de história e significado!

Quero expressar nossa profunda gratidão a todos os participantes que se dedicaram, sonharam e criaram com tanto amor. Cada imagem enviada foi um testemunho da sensibilidade e do olhar poético que move a nossa comunidade.


Parabenizamos de coração todos os ganhadores! Suas obras são capazes tocar o nosso coração, transformando a união entre texto e fotografia em uma verdadeira dança de emoções. É inspirador ver como a arte pode ganhar novas camadas de significado quando palavras e imagens caminham juntas.


Nosso desejo é que cada participante se sinta parte dessa celebração da arte. Afinal, mais do que uma disputa, este concurso é um espaço para reconhecer o poder que temos de comunicar sentimentos e histórias através da fotografia.

Com gratidão e admiração,

Wellington Fugisse

Fundador da FineArt Association.

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Photographer

Alexandre Grand

Rio de Janeiro | Brazil

Foto capturada por @agrand

Eu sempre ouvi a expressão “de pernas pro ar”, mas nunca tinha visto uma representação tão literal até me deparar com esta imagem. Sim, fiz a foto passando por baixo dessas pernas, provavelmente de um trabalhador pintando a fachada de um prédio. Ser fotógrafo nos dá perspectivas diferentes, maneiras novas de olhar, e as histórias por trás do que vemos tornam-se infinitas.

Pense em quantas pessoas passaram por essa calçada e “viram” a cena, mas, na prática, não viram nada. Essa é a diferença entre o olhar leigo e o olhar treinado: o fotógrafo aprende a notar o que escapa à maioria. Quem exercita o olhar está no caminho certo para encontrar as pérolas do cotidiano.

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Photographer

Alexandre Grand

Rio de Janeiro | Brazil

Foto capturada por @agrand

Felizes, assustados, curiosos e, às vezes, incrédulos. Fotografei essas crianças de um povo indígena na Amazônia, em março de 2020, no auge da pandemia. Lembro bem de estar lá e, até hoje, me pergunto: quem tem mais qualidade de vida: nós ou eles?

O que vi: uma relação direta com a natureza, de onde vêm o sustento, o alimento e também a brincadeira. Foi um choque de realidade e um convite à reflexão sobre o quanto podemos aprender com os povos indígenas. Nossos filhos deveriam conhecer melhor essas culturas na escola. Há uma sabedoria ali, de convivência com a mãe natureza e de respeito ao ciclo da vida que nos faz repensar prioridades.

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Alexandre Grand

Rio de Janeiro | Brazil

Foto capturada por @agrand

O dia em que encontrei Frida em Oaxaca, Mexico. Agosto de 2025

Foi numa tarde de calor preguiçoso, quando o vento trazia cheiro de mezcal e buganvílias caíam como confetes sobre as ruas de pedra. Eu caminhava sem pressa pelo mercado de Oaxaca, procurando rostos e histórias, quando a vi sentada sob uma sombrinha azul, o olhar firme e a flor amarela nos cabelos.

Por um instante, o tempo se dobrou. Frida Kahlo estava ali. Não a dos museus, nem a dos livros — mas uma Frida viva, inteira, pulsante. O mundo parecia tê-la devolvido por descuido, apenas para que eu a encontrasse.

Aproximei-me devagar, o coração batendo como se a câmera em minhas mãos também respirasse.

Frida… posso fazer um retrato seu? — perguntei, sem saber se ela entenderia minha língua, meu espanto, ou meu desejo.

Ela sorriu. Um sorriso curto, carregado de ironia e ternura.

Retrato? — disse — Me pintei tantas vezes porque era a pessoa que eu mais conhecia. Mas hoje… talvez eu queira ser vista por outro olhar.

E ficou em silêncio. Apenas se virou para a luz que atravessava o tecido azul do toldo. Eu cliquei. Uma única vez.

Naquela fração de segundo, senti que ela voltava a existir — não como memória, mas como presença. E quando abaixei a câmera, ela já não estava mais.

Alguns dizem que foi alucinação do calor, outros que Oaxaca tem o poder de abrir portais.

Eu só sei que, naquele dia, fotografei um sonho.

E o nome dele era Frida Kahlo.

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Alexandre Grand

Rio de Janeiro | Brazil

Foto capturada por @agrand

Chamavam-no de Gato do Demônio.

Faltava-lhe um olho e sobrava-lhe a o pelo surrado e alguns poucos dentes na boca.

Vivia nas sombras da rua, rosnando para mãos que um dia só lhe deram pontapés.

O olho que restou era uma brasa: via a noite inteira, via o medo dos outros, e também via o próprio medo.

Mas havia uma menina que deixava leite num pires rachado, sempre no mesmo canto.

O gato fingia desprezo, aproximava-se como quem invade território inimigo, bebia sem agradecer e sumia.

Num dia de chuva grossa, a menina estendeu uma caixa de papelão. O gato, encharcado, hesitou. Entrou. Dormiu. Quando acordou, descobriu que o pires tinha nome: “casa”. O olho único amansou e, de vez em quando, ronronava baixo, como quem perdoa o mundo por um instante.

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Photographer

Alexandre Grand

Rio de Janeiro | Brazil

Foto capturada por @agrand

Vamos falar de composição fotográfica e cinema? Dois temas que eu amo. Nesta foto, a composição é o motor da narrativa. Kubrick adorava simetria rigorosa; Tarantino curte o contra-plongée (de baixo para cima); Scorsese prefere a tensão das assimetrias. Quantos triângulos você enxerga aqui?

O minimalismo e a escala transformam o homem em “miniatura” e, paradoxalmente, o agigantam no espaço. O dinamismo vem da Lensbaby, que comprime o foco nas bordas e direciona o olhar: dois homens caminhando um ao encontro do outro. Os triângulos — especialmente o central — conduzem o olhar direto ao sujeito; depois, o resto da cena se revela.

O mais incrível é que tudo isso acontece na cabeça do fotógrafo em frações de segundo. Isso é pensamento fotográfico em tempo real. Já parou pra pensar?

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Junior Oliveira

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @junioroliveira

O Encontro do Equilíbrio


Dois mundos se aproximam.

Não se tocam ainda — apenas se percebem.

Entre eles, o ar vibra, o tempo suspira, o instante se alonga.

É o prelúdio do encontro, o momento sagrado onde o “eu” e o “você” ainda existem,

mas já começam a se dissolver no “nós”.


Como o Yin e o Yang, são forças opostas e complementares.

Luz e sombra, força e suavidade, razão e sentimento.

Nada se anula — tudo se equilibra.

O amor, afinal, não é a fusão cega de dois corpos,

mas o diálogo sereno de duas essências que se completam.


O quase toque é o limiar entre o que se era e o que se escolhe ser juntos.

Um gesto que anuncia o nascimento do equilíbrio —

a promessa silenciosa de que, a partir dali,

nenhum dos dois será inteiro sozinho.

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Junior Oliveira

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @junioroliveira

Na casa onde o tempo caminha descalço, ele sentou-se em silêncio. O cheiro do café antigo ainda morava nas paredes, as prateleiras guardavam memórias em potes, e o triciclo esquecido no canto parecia esperar o menino que ele foi.

Antes de seguir para o altar, ele voltou para o começo. Ali, na casa da avó, onde aprendeu o valor das pequenas coisas, ele fechou os olhos e orou, não por sorte, mas por gratidão.

Cada marca na parede era uma lembrança. Cada objeto, uma história que o trouxe até ali. O homem de hoje agradecia ao menino de ontem

por nunca ter esquecido de onde veio. E enquanto o mundo o esperava para o grande “sim”, ele sussurrou um outro, mais silencioso e eterno:

“sim” ao tempo, “sim” à fé, “sim” às raízes que o ensinaram a amar.

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Junior Oliveira

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @junioroliveira

Ninho


duas alianças,

duas vidas,

um abrigo.


não há ouro que brilhe mais

que o gesto de ficar.


o amor constrói assim —

fio a fio,

paciência e cuidado,

como quem tece casa no vento.


um ninho é promessa:

não de prisão,

mas de retorno.


é onde o amor descansa,

cria asas,

e aprende que lar

é o coração do outro.

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Junior Oliveira

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @junioroliveira

Em um segundo, a cena acontece: a noiva entra, o coração aperta, o tempo suspira. Mas antes que a emoção chegue aos olhos, as mãos já buscam o celular. O amor passa diante de todos e quase ninguém o vê de verdade.

Vivemos tempos em que os momentos são capturados, mas raramente sentidos.Queremos provar que estivemos lá, quando o mais bonito seria apenas estar.

E então vem a ironia silenciosa da fotografia: ela, que nasce do mesmo gesto de registrar, é a única que realmente guarda. Não o vídeo tremido, não o filtro passageiro, mas a verdade, o instante puro, sem distrações. Os stories somem em 24 horas. A fotografia, essa sim, permanece para lembrar o que o olhar apressado esqueceu: que o essencial não precisa de tela para existir.

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Photographer

Junior Oliveira

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @junioroliveira

A música enchia a rua, e o amor deles dançava junto com cada verso. “Hoje sou feliz e canto, só por causa de você…” ecoava entre sorrisos, passos e abraços. Não era apenas uma canção, era a tradução perfeita daquele instante. Duas vidas que se encontraram depois de tantas voltas, e agora celebravam não só o casamento, mas o milagre de ter se encontrado.

Atrás deles, a rua inteira sorria, porque a alegria verdadeira é generosa, se espalha, contagia, vira coro. E enquanto o som dizia “mil voltas e voltas que dei, querendo encontrar alguém igual a você”, eles caminhavam de mãos dadas, sabendo que o amor, quando é de verdade, tem o poder de parar o tempo e fazer a vida cantar.

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Photographer

Junior Oliveira

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @junioroliveira

Em seus olhos, o reflexo de tantas histórias: os sorrisos que uniram gerações, os olhares cúmplices trocados ao pé do altar, as promessas que atravessaram o tempo. O que ela pensa ao olhar para os netos, tão radiante, tão cheia de futuro? Talvez se lembre de si mesma, no dia em que começou a escrever sua própria história. Ou talvez veja o marido, sentado em algum canto invisível daquele lugar, sorrindo ao perceber que o amor que eles plantaram floresce novamente, agora em outros corações.

Ela não sabe quantos casamentos mais verá, mas não importa. Naquele instante, tudo está completo. O riso da neta, o calor da família, o eco de uma vida vivida com plenitude. Seu sorriso fala de gratidão: pelo que foi, pelo que é, e até pelo que não verá, mas que certamente continuará. E assim, entre votos sussurrados e promessas eternas, ela também faz o seu. Silenciosa, mas cheia de força: viver cada instante como se fosse o mais precioso, guardando para sempre o que a vida lhe deu de melhor.



Avatar do fotógrafo Junior Oliveira

Photographer

Junior Oliveira

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @junioroliveira

A ampulheta do tempo


Há uma história escrita em cada ruga, cada linha dessas mãos que seguram o futuro com tanto cuidado. São mãos que já sustentaram sonhos, embalaram filhos, plantaram esperança. Agora, firmes e gentis, envolvem os dedos delicados do mais novo ramo da árvore da família.

A pequena mão que começa a descobrir o mundo encontra abrigo naquelas que já o desbravaram. É o encontro do que foi com o que será, um instante onde o tempo para e o amor se torna eterno. Entre os dedos pequenos e os sulcos do tempo, há um pacto silencioso: proteger, ensinar, amar.

Enquanto o tempo vai marcando as mãos do pequeno, ele aprenderá que o verdadeiro valor não está na força, mas na ternura; não na pressa, mas na paciência. E que o amor, quando bem plantado, floresce por gerações. Esse é um laço que transcende o tempo, uma herança de amor que nenhuma história poderá apagar.

Avatar do fotógrafo Laura Spohr Batista

Photographer

Laura Spohr Batista

Rio Grande do Sul | Brazil

Foto capturada por @laurasbatista

Às vezes a gente não fotografa porque acha que é só um momento comum.


João, com quase dois anos, estava à beira do açude junto do pai, Adriano. Jogava pedras, ria do barulho, desafiava o próprio braço e tentava alcançar cada vez mais longe. Parecia só uma brincadeira… mas era mais: era presença, era afeto, era vínculo.


Um dia, essa imagem vai contar a história de um pai e de um filho que souberam viver até o mais simples dos dias, sem pressa, sem pose, sem filtro, apenas sendo. E talvez seja justamente esse instante que, no futuro, vai ter mais valor.

Avatar do fotógrafo MARCELO MARQUES

Photographer

MARCELO MARQUES

Paraná | Brazil

Foto capturada por @marcelomarques

A receita original dizia "bolachinha da vó". A vó é a mãe da minha mãe. Receita portuguesa. Herança. Mas minha mãe reescreveu a receita pra reduzir os ingredientes. A receita original rendia muita bolacha. Mas o detalhe é que ela renomeou a receita. Agora ela lê "bolachinhas da vovó Fefê". É assim que meu filho chama a vó Fernanda. Agora a vó é ela. E isso me faz pensar que, no futuro, um dia eu serei o vô. E o livro de receitas é nosso legado. Com a letra a mão. Nossa história. Viva. E doce.

Avatar do fotógrafo Marcus Vinícius

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Marcus Vinícius

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @marcusvinicius

Geralmente escrevo sob algo instrumental, jazz ou piano, mas hoje tá rolando Led Zeppelin no tocador e vou deixar. Sem mais distrações.


Como ser lembrado? Se seu nome é falado, você não é esquecido, me disse o genro de um amigo. Não tenho a resposta. Hoje mandei um áudio longo pra Carol, que é minha amiga e psiquiatra, e falei um pouco dos meus desejos, que é deixar alguma marca aqui na Terra. Aos 40, acho que é fazendo pelos outros. Não sei se no sentido espírita da caridade, porque, ó, odeio a tal da auto-exaltação da virtude. Não que sejam a mesma coisa. Mas fato é: você faz verdadeiramente pelos outros ou pelo ego?


“All of my love”, Robert Plant? Me deixa em paz, me deixa escrever. Mas, sim, com todo o amor, genuíno, e com a paixão, acho que nossa marca fica por aqui, sim.


Tô confuso.


Eu acho que vivi até hoje menos da metade do que vou viver. Talvez o que vai mais marcar não tenha acontecido ainda, mas se o que fiz até hoje ficar na vida de outras pessoas, talvez algumas respostas já estejam aí.

Eu acho, sim, que consigo fazer mais pelo próximo. Até hoje eu só sei registrar histórias. Ah, e já ensinei inglês. Tá, recebia por isso, mas fiz. Receber por algo não é algo errado no fazer bem, viu? Tudo que você faz que te ocupa tempo, dedicação, competência, pode, sim, ser remunerado. Documentarista, médico, cozinheiro. Até vereador.


Que dificuldade pra finalizar esse raciocínio, já me perdi.


Eita, ó Plant e Page aí com a resposta: “to be a rock and not a roll.” Em uma possível tradução, “ser constante e não errante.”


O Anderson é uma rocha. Engraxate, igual o pai, que já se aposentou. No centro de BH, ele segue fazendo aquilo que vai eternizar o ofício e a honra da família.

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Photographer

Marcus Vinícius

Minas Gerais | Brazil

Foto capturada por @marcusvinicius

Homenagear as pessoas em vida é uma expressão que tá me acompanhando agora.


Fiz 50 episódios do Retratos Sem Fronteiras do meu bolso. Destes retratados, alguns já se foram. Quando o Julinho, meu sócio, entrou pro projeto, entendi ainda mais a grandeza do que estamos fazendo. Ele, sem conhecer grande parte das pessoas, edita os vídeos praticamente conversando com nossos personagens, o que é uma forma linda de conexão e proximidade também. E de cumplicidade. A gente aprende tanto com essas pessoas…


Antes do Retratos, eu saía fotografando as ruas da Badia, das cidades, muitas vezes tentando preencher meu próprio vazio. Numa dessas andanças, e também à época de um outro projeto, talvez o primeiro autoral, o Fotografia de Rua - Registro Histórico do Cotidiano, eu prestei atenção da Venda do Pinhé e da Suely. Anos depois, entrei, fotografei, bati papo, aprendi. Me encantei. Ficamos amigos.


Gravei com eles anos depois. Descubro que o motivo de muitas vezes o armazém não estar aberto é a depressão do Pinhé. Entendo cada vez mais. Ficamos amigos demais, friso. E lembro que quando a Nina era novinha ainda, a gente passava lá em frente, ela se encantava com a coiseira e ganhava pirulito da Lud e da Laura. Hoje em dia ela ganha bala de mel da Suely. A gente só ganha com eles.


Mas o mundo perdeu. Perdemos o Pinhé. É difícil passar lá e ver que está fechado por luto aquele lugar que estava fechado às vezes pela depressão. Que também é um tipo de morte, mas divago. A gente era pra ter feito um ensaio dos netos lá engatinhando naquele piso lindo, subindo nos balcões, rodando os baleiros. É um tanto de “se” que a gente até engasga.


Mas eu tirei forças e estou tentando uma última homenagem ao meu amigo. Suely, por favor, mantenha a Venda, o mundo também tem que te conhecer. Um beijo, queridos.


Avatar do fotógrafo Rafael Zanella

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Rafael Zanella

Rio Grande do Sul | Brazil

Foto capturada por @rafazanella

A saudade é um eco que o tempo não apaga.

O passado repousa entre dedos enrugados, como se o toque pudesse reviver o que o tempo levou.

O olhar que encontra o retrato não vê papel, vê vida.

É o amor atravessando décadas, feito lembrança que ainda pulsa, suave e eterna como o bater do coração que insiste em recordar.

Avatar do fotógrafo Rafael Zanella

Photographer

Rafael Zanella

Rio Grande do Sul | Brazil

Foto capturada por @rafazanella

Queridos,

Foram 18 anos vivendo ao lado de vocês e eu ainda sigo aqui, mais devagar, mas com o mesmo coração inquieto de amor. Meus pelinhos brancos agora escondem os olhos, e o fucinho marrom carrega o tempo, as histórias e o cheiro de tudo que fomos juntos. Já não corro, apenas caminho leve, como quem entende que a vida é feita de chegadas, mas também de pausas bonitas.

Não fiquem tristes se eu dormir mais ou se meus passos ficarem curtos. É só o corpo cansando… a alma, essa ainda abana o rabo toda vez que sente o toque de vocês. Cada olhar, cada cafuné, é um “eu te amo” que guardo no peito.

O Preto segue aprendendo comigo e eu sei que ele vai continuar o que comecei: cuidar, estar perto, amar em silêncio. Quando o vento soprar leve e o sol entrar pela janela, lembrem de mim. Estarei ali, deitado no mesmo canto de sempre, guardando vocês com o coração em paz.


Com amor,

Bob